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Hoje - quarta-feira, 10 de março de 2010.

 
  Palavra
"Diferentemente do que estamos acostumados a ver no teatro e na televisão, no elenco de Deus, não há atores coadjuvantes, todos têm papel principal"
Todos nós precisamos descobrir, em algum momento de nossa caminhada, o que justifica nossa existência. Ao ouvir a história de dores das pessoas, percebo que muitas delas sofrem, desnecessariamente, por não terem descoberto a razão pela qual Deus as trouxe para esse mundo; tornam-se reféns de seus algozes ou mesmo submetem-se a todo tipo de opressão por julgarem-se predestinadas a isso. Deus não é mal e não criou ninguém para o sofrimento. Sofrer faz parte do viver, mas não nascemos para, apenas, sofrer. Há muitas pessoas aguardando o céu para de fato serem felizes e isso não é bom. O céu é o fim e a concretização de tudo o que hoje é incompleto e embaçado, porém há rastros de eternidade que podem ser alcançados por aqui. Nem tudo é do maligno como muitos insistem em dizer, Deus ainda está no controle e nunca abrirá mão disso. Aprecio muito as palavras do salmista Davi ao dizer que apesar dos inimigos e das testemunhas falsas que se levantavam contra ele, cria que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes.

Para ter a mesma certeza do salmista descrita no salmo 27, é importante estar convicto de que não nascemos apenas para ser tragédias ambulantes a fim de engrossar as estatísticas; não somos números, temos um nome e nascemos com um destino. Somos “carta marcada” por Deus para que seus planos se cumpram em nós. Ainda a respeito de Davi, o rei, é dito no livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 13, verso 36: “tendo, pois, Davi servido ao propósito de Deus em sua geração, adormeceu, foi sepultado com seus antepassados e seu corpo se decompôs”. Creio que podemos ter neste texto uma referência para quem se perde enquanto caminha nesta vida. Tirar o foco do propósito para o qual fomos criados nos deixa desnorteados, e não há conta bancária no azul que nos faça achar o caminho de volta; nenhuma riqueza deste mundo pode ser mais sedutora do que sermos parceiros de Deus, investindo nossos dias em fazer parte de Seu sonho de redimir o homem perdido. Para isso, eu preciso parar e ouvir o autor desta história. Saber o meu papel em tudo que me envolve é vital para que eu não destoe do enredo. Diferentemente do que estamos acostumados a ver no teatro e na televisão, no elenco de Deus, não há atores coadjuvantes, todos têm papel principal; os personagens são reais e vivem na pele seus dramas e celebrações: choram, riem, ganham, perdem... Os ensaios são diários, porque a apresentação pode ser a qualquer momento e o palco pode ser a rua, a casa; de frente para a platéia ou numa apresentação solitária.


A maneira como Davi viveu em seus dias é um recado para nós nesses tempos de pós-modernidade. Ele entendeu que servir ao propósito de Deus em sua geração o tornaria pleno. Servir, em nosso tempo, sem o propósito de Deus, torna-nos vazios e irrelevantes. É preciso descobrir que nossa vida é um presente de nosso criador a essa geração e isso faz toda a diferença. Isso explica nosso nascimento um dia em algum lugar e em alguma família. Pouco importa como e onde nascemos, se fomos planejados ou indesejados. Nascemos, e isso é o que importa. Passamos a entender e a justificar nossa existência através de quanto estamos disponíveis para servir. Davi não viveu para si mesmo. O dia a dia tem saqueado nossos objetivos. No trabalho, somos movidos a produzir insaciavelmente, sem termos noção, em tempo algum, do quanto estamos agradando o patrão, se é que nossa grande motivação é trabalhar para agradá-lo. Mas também nosso instinto de sobrevivência nos induz a isso. Em casa, nos vemos levados de um lado para outro, num triângulo amoroso entre nós, a televisão e o computador. É um jogo de sedução em que quase sempre perdemos. Que saudade dos tempos em que o lar era refúgio! Hoje, já é prisão para muitos devido a esses convites a fugir da quietude e reflexão. Deveria ser laboratório para futuros gênios, mas tem se tornado sinônimo de tensão e onde os pesadelos acontecem mesmo acordados.


Até aqui estou procurando mostrar que não viemos a este mundo a passeio, ou seja, precisamos justificar nossa existência ouvindo a Deus e descobrindo quem sou e o que devo fazer para que minha existência se transforme em vida e vida abundante, conforme nos prometeu o Mestre. Inclusive em suas palavras, ele também teve a preocupação de mostrar a que veio e quais eram seus alvos: veio cumprir a lei; veio pregar (Marcos 1:38); veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10); veio para o que era seu (João 1:11); veio para testemunhar da verdade (18:37). Todas estas referências bíblicas convergem para a salvação do homem e a obediência a Deus. Assim como foi importante mostrar para que veio Jesus, é necessário mostrar para o que Ele não veio. Certa vez Jesus disse que “não veio buscar justos...”, pois quem se acha justo, fica cheio de si e já recebeu sua recompensa. Com isso, ele estava eliminando uma cambada de fariseus hipócritas que se achavam puros demais. O Mestre estava deixando claro que tinha um propósito definido em sua missão: buscar gente perdida. Os fariseus teriam lugar na agenda divina desde que reconhecessem sua real condição de perdidos, isto para Jesus era inegociável. Não era Jesus quem tinha de entrar nos planos e na agenda dos fariseus, mas os fariseus entrarem nos planos e na agenda de Jesus; Ele também disse que não veio para destruir a vida humana (Lucas 9:55-56). Entendo que termos uma visão clara de nosso projeto de vida é indispensável. Como pastor, desejo gastar os meus dias fazendo como o Senhor fez, levando pessoas a viverem intensamente seus dias, ajudando-as a excluir o que lhes sobrecarrega, potencializando suas carreiras, levando-as a descobrir sua verdadeira paixão que as fará viver com alegria. Tudo pelo qual nos apaixonamos nos faz dedicar mais de nosso tempo a um fim específico e proveitoso. A partir daí, nossos ouvidos se fecham a qualquer “cantada” que nos conduza para longe de nosso objeto de desejo. Observe que, não raro, surgem oportunidades e convites para que você seja e faça outras coisas, é preciso estar atento ao que somará à visão dada por Deus a você e o que o desviará. Bill Hibels, em seu livro “Liderança Corajosa”, diz que “visão é uma clara imagem do futuro que produz paixão”. Flertar com o que a paisagem apresenta enquanto se caminha para o alvo pode ser doloroso demais, abreviando nossos projetos.


Ainda em seu livro “Liderança Corajosa”, Bill Hybels diz que a estimativa de morte para qualquer pessoa continua variando em torno dos 100por cento. Com isso, ele quer dizer que temos um tempo determinado por Deus para viver. Não nos foi dado a conhecer quanto tempo nos resta. Não sabemos se faremos uma passagem digna com dia e hora marcados para nossos sucessores daquilo que temos recebido e aprendido, ou surpreenderemos a todos com nossa partida repentina para a eternidade, sem que haja aviso prévio. O certo é que vai haver um dia em que sairemos de cena. Fazer discípulos continua sendo a chamada do Senhor para hoje. O que temos recebido de Cristo é valioso demais para se perder no passado. Recomendo que regularmente você faça um inventário de todo o bem que Deus tem lhe dado: a família que lhe é preciosa, os amigos que lhe são indispensáveis, os discípulos que você conquistou para o reino por conta de seu caráter e sua visão apaixonada, o ministério que lhe dá prazer. Fale destas coisas como se tivesse depositando esses valores conquistados no coração de pessoas idôneas e também fiéis. Desperte nelas a vontade de lutarem pelo que realmente importa. Ensine-as que podemos lidar com a eternidade por aqui também. Então elas serão cativadas a fugir da mediocridade e seguirão seu exemplo. Sua vida será um exemplo a ser seguido. Assim, você estará seguro de que não correu em vão e nem construiu sobre a areia. Os sábios serão atraídos por sua vida enquanto você estiver por aqui, ocupado com o que realmente importa e os aprendizes lerão a seu respeito um dia.

PR. CARLOS ROBERTO MARTINS DOS SANTOS - PRESIDENTE DA IECBR

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